Dicas Práticas

Como Se Comportar na Perícia Médica? 7 Orientações Para Não Prejudicar Seu Caso

Saiba como se comportar na perícia médica: o que falar, o que levar e os erros que podem prejudicar seu resultado. Guia prático e direto.

Dr. Mário Guimarães
Dr. Mário Guimarães
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22 de fevereiro de 2026
|
10 min de leitura
Como Se Comportar Numa Perícia Médica?

A perícia médica pode ser um dos momentos mais decisivos do seu processo — e também um dos mais estressantes. É natural sentir ansiedade. Afinal, em poucos minutos de avaliação, o perito vai formar uma opinião técnica que pode influenciar diretamente o resultado da sua ação trabalhista, do seu pedido de benefício no INSS ou do seu processo por erro médico.

Neste artigo, você vai encontrar orientações práticas e objetivas sobre como se comportar durante a perícia médica — desde o que falar e como se preparar até os erros mais comuns que podem comprometer seu resultado sem que você perceba.

Mas atenção: se comportar bem na perícia vai muito além de "ser educado e chegar no horário". Existem aspectos técnicos da avaliação que fogem completamente do controle de quem não tem formação médica — e é justamente nesses detalhes que muitos casos são ganhos ou perdidos.


1. Chegue Com Antecedência e Preparado

Pode parecer óbvio, mas chegar atrasado para a perícia é mais comum do que se imagina — e mais prejudicial do que as pessoas pensam. Um atraso pode causar o reagendamento da perícia (atrasando todo o processo em meses) ou fazer com que você comece o exame nervoso, apressado e menos atento às perguntas do perito.

O ideal é chegar pelo menos 30 minutos antes do horário marcado. Use esse tempo para organizar seus documentos, reler suas anotações sobre o caso e acalmar a mente. A perícia exige que você esteja presente, atento e capaz de relatar sua condição com clareza.

Uma boa prática é anotar previamente os pontos principais que você precisa comunicar ao perito: quando seus sintomas começaram, quais são suas limitações no dia a dia, que tratamentos já realizou e que medicamentos utiliza. Quando a ansiedade aperta, é fácil esquecer informações importantes — e o perito não vai adivinhar o que você não disse.


2. Leve Toda a Documentação Médica Organizada

A documentação que você apresenta na perícia tem peso direto no resultado. O perito analisa seus exames, laudos e atestados para fundamentar suas conclusões. Se a documentação estiver incompleta ou desatualizada, o perito trabalha com o que tem — e o que ele tem pode não ser suficiente para refletir a gravidade real do seu quadro.

Organize e leve:

  • Exames de imagem recentes (ressonância, tomografia, radiografia, ultrassom)
  • Laudos e relatórios de médicos especialistas
  • Atestados médicos com CID, descrição detalhada e data
  • Receitas de medicamentos em uso contínuo
  • Relatórios de tratamentos realizados (fisioterapia, internação, cirurgias)
  • No caso de perícia trabalhista: CAT, PPP, LTCAT e outros documentos ocupacionais

💡 Você sabia? Apresentar os documentos em ordem cronológica, com uma lista resumida do que está sendo entregue, facilita o trabalho do perito e demonstra organização. Detalhes assim podem parecer pequenos, mas ajudam a construir uma impressão de credibilidade.

Existe, porém, uma questão que vai além da organização. Saber quais documentos são estrategicamente mais relevantes para o seu tipo de caso exige conhecimento técnico. Um laudo de ressonância, por exemplo, pode conter achados importantes que só um profissional treinado conseguiria correlacionar com suas queixas clínicas. Levar os documentos certos é tão importante quanto levá-los organizados.


3. Seja Honesto — Mas Saiba Ser Preciso

Essa é a orientação mais importante e, ao mesmo tempo, a mais mal compreendida. Ser honesto na perícia não significa apenas "não mentir". Significa relatar sua condição de forma completa, coerente e precisa.

Muitas pessoas, por nervosismo, cometem dois erros opostos:

Minimizar os sintomas. Por vergonha, timidez ou medo de parecer "exagerado", alguns pacientes acabam dizendo que estão melhor do que realmente estão. Frases como "às vezes dói, mas dá pra aguentar" podem levar o perito a concluir que a incapacidade é leve — quando na realidade o impacto no dia a dia é significativo.

Exagerar os sintomas. Na tentativa de "convencer" o perito, outras pessoas dramatizam suas queixas. Peritos experientes são treinados para identificar inconsistências entre o que o paciente relata e o que o exame físico demonstra. Exageros podem gerar desconfiança e comprometer a credibilidade de queixas que são genuínas.

O caminho correto é descrever exatamente o que você sente, com exemplos concretos do impacto na sua rotina. Em vez de dizer "minha coluna dói", diga algo como: "não consigo ficar sentado por mais de 20 minutos sem sentir dor intensa na lombar, e isso me impede de trabalhar no computador como fazia antes". Quanto mais específico, melhor.

⚠️ Importante: O perito pode fazer perguntas que parecem simples, mas que têm implicações técnicas que você talvez não perceba. Uma pergunta como "você consegue levantar o braço acima da cabeça?" pode parecer direta, mas a resposta pode ser interpretada de formas diferentes dependendo do contexto clínico. Sem orientação técnica, é fácil dar uma resposta que não traduz adequadamente a sua limitação real.


4. Colabore Com o Exame, Mas Conheça Seus Direitos

O perito pode solicitar que você realize movimentos, testes específicos ou responda a perguntas detalhadas durante o exame. Colaborar é fundamental — recusar-se a participar dos testes pode ser interpretado como falta de cooperação e prejudicar o laudo.

No entanto, colaborar não significa aceitar tudo passivamente. Você tem direitos durante a perícia:

  • Pode solicitar que o perito registre queixas específicas que você considera importantes
  • Pode se recusar a realizar movimentos que causem dor aguda (informando o motivo)
  • Pode solicitar a presença de acompanhante (as regras variam conforme o tipo de perícia)
  • Pode ter um assistente técnico acompanhando o exame

O desafio é que, durante a perícia, a maioria das pessoas não sabe o que o perito está tecnicamente avaliando em cada teste. Você pode estar realizando um teste de provocação para síndrome do túnel do carpo, por exemplo, sem saber que o perito está observando sua reação para determinar se o resultado é positivo ou negativo. Se você não expressa a dor corretamente naquele momento — porque não entendeu o que estava sendo testado —, o resultado pode ser registrado como normal.


5. Não Leve Informações de Terceiros Como Se Fossem Orientação Médica

Um erro cada vez mais comum: o paciente chega à perícia "preparado" com base em informações de fóruns da internet, grupos de WhatsApp ou conselhos de conhecidos que "já passaram por isso". Essas fontes podem conter informações desatualizadas, incorretas ou que não se aplicam ao seu caso específico.

Cada perícia é única. O tipo de processo, a especialidade médica envolvida, os quesitos formulados e o histórico clínico do paciente criam um contexto que exige orientação individualizada. Seguir dicas genéricas pode, na melhor das hipóteses, não ajudar em nada — e na pior, gerar inconsistências no seu relato que comprometam a credibilidade das suas queixas.

A orientação mais segura sobre como se comportar na sua perícia específica vem de quem conhece tanto o seu caso quanto os aspectos técnicos da avaliação pericial.


6. Preste Atenção ao Que Acontece Durante o Exame

A perícia médica não é apenas o perito avaliando você — é também você observando o que o perito faz. Nem sempre é possível identificar tudo, mas existem aspectos que vale a pena notar:

  • O perito realizou exame físico ou apenas conversou com você?
  • O perito analisou seus exames de imagem e documentos?
  • Quanto tempo durou o atendimento?
  • O perito fez perguntas sobre suas limitações no dia a dia?
  • Ele realizou testes clínicos específicos?

Anotar mentalmente (ou por escrito, logo após sair) o que aconteceu durante a perícia pode ser útil caso o laudo venha com informações que não correspondam ao que ocorreu no exame. Mas aqui entra um ponto que merece reflexão: você teria como avaliar se os testes realizados foram os adequados para o seu caso? Ou se algum exame essencial deixou de ser feito?

O perito pode, por exemplo, ter avaliado a amplitude de movimento do seu joelho sem utilizar um goniômetro — instrumento que mede o ângulo com precisão. Pode ter registrado 120 graus de flexão quando a medição correta indicaria 90 graus. Essa diferença de 30 graus pode ser a diferença entre "limitação leve" e "limitação funcional significativa" no laudo. Sem conhecimento técnico, você jamais identificaria esse tipo de falha.


7. Considere Ter um Assistente Técnico ao Seu Lado

De todas as orientações deste artigo, esta é a que pode ter o maior impacto prático no resultado da sua perícia. E não é por acaso que a própria legislação brasileira prevê esse direito.

O Código de Processo Civil (art. 465, §1º, II e art. 466) garante às partes o direito de indicar um assistente técnico — um médico que atua exclusivamente na defesa dos seus interesses durante o processo pericial.

O assistente técnico transforma a dinâmica da perícia de diversas formas:

  • Orienta você antes da perícia sobre como relatar seus sintomas de forma precisa e tecnicamente relevante, sem exageros e sem omissões
  • Acompanha o exame presencialmente, observando se o perito utiliza a metodologia correta e realiza todos os testes pertinentes ao seu caso
  • Identifica em tempo real se algum aspecto importante da avaliação foi negligenciado
  • Elabora quesitos técnicos que direcionam o perito para os pontos críticos da sua condição
  • Produz um parecer técnico independente que pode confirmar ou contestar o laudo, caso necessário

Pense no seguinte: o perito é um médico avaliando sua condição. O advogado da outra parte pode indicar um médico assistente técnico para defender os interesses dela. Se você está sozinho nessa equação, a assimetria é real. Não porque o perito seja parcial, mas porque a complexidade técnica de uma perícia médica exige um olhar especializado para garantir que nada relevante fique de fora.

A pergunta que muitas pessoas só se fazem depois de receber um laudo desfavorável é: "será que o resultado teria sido diferente se eu tivesse um assistente técnico?" A resposta, em muitos casos, é sim. Porque o assistente técnico não muda os fatos médicos — ele garante que os fatos sejam avaliados de forma completa e correta.


Resumo: O Que Fazer e o Que Evitar na Perícia Médica

Faça:

  • Chegue com antecedência e com a mente preparada
  • Leve documentação completa, atualizada e organizada
  • Relate seus sintomas com honestidade e precisão, usando exemplos concretos
  • Colabore com os testes solicitados pelo perito
  • Anote o que aconteceu durante o exame assim que possível
  • Considere contar com um assistente técnico para acompanhamento especializado

Evite:

  • Minimizar ou exagerar seus sintomas
  • Ir à perícia sem documentação ou com exames desatualizados
  • Seguir "dicas" genéricas de internet ou grupos de WhatsApp
  • Recusar-se a realizar os testes sem justificativa
  • Ir à perícia sem entender o que está em jogo e sem acompanhamento técnico

Conclusão: Comportamento Importa — Mas Preparo Técnico Faz a Diferença

Saber como se comportar na perícia médica é essencial: chegar no horário, ser honesto, levar a documentação certa, colaborar com o exame. Tudo isso contribui para que a avaliação corra bem. Mas a verdade é que o resultado da perícia depende, em grande parte, de fatores técnicos que estão além do comportamento do paciente.

A metodologia do exame, a interpretação dos achados clínicos, a correlação entre exames e queixas — esses são os elementos que realmente definem o conteúdo do laudo. E sobre eles, o paciente sozinho tem pouco ou nenhum controle.

É por isso que a preparação mais completa para uma perícia médica vai além das dicas de comportamento. Ela inclui ter ao seu lado um profissional que entende a linguagem técnica, que conhece os critérios de avaliação e que pode atuar para garantir que seus direitos sejam plenamente respeitados.

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Dr. Mário Guimarães

CRM-DF 18.666 · RQE 17.972

Médico especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas. Ex-Corregedor do CRM-DF. Master in Law, Penn Law (Ivy League). +1.000 atuações em 3 países.

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