Dicas Práticas

Como Saber Se a Perícia Médica Foi Aprovada? Passo a Passo Para Consultar o Resultado

Saiba como consultar o resultado da perícia médica do INSS pelo Meu INSS ou telefone 135, o que fazer se foi negada e como recorrer com apoio técnico.

Dr. Mário Guimarães
Dr. Mário Guimarães
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22 de fevereiro de 2026
|
10 min de leitura
Como Saber Se A Perícia Médica Foi Aprovada?

Você fez a perícia médica, saiu da sala sem saber o resultado e agora está na angústia de esperar. A pergunta que não sai da cabeça: será que foi aprovada?

Essa ansiedade é completamente natural. O resultado da perícia pode determinar se você vai receber o benefício de que precisa para se manter enquanto se recupera — ou se terá que buscar alternativas em um momento de fragilidade.

A boa notícia é que existem formas simples de consultar o resultado. Neste artigo, você vai aprender o passo a passo para verificar se sua perícia foi aprovada, entender o que cada resultado significa e, principalmente, saber o que fazer se o resultado não for o que você esperava.


Perícia do INSS: Como Consultar o Resultado

Se a sua perícia foi realizada pelo INSS — para auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) ou BPC/LOAS — existem três formas de consultar o resultado.

1. Pelo aplicativo ou site Meu INSS

Essa é a forma mais rápida e prática. O resultado costuma ficar disponível em até 24 a 48 horas após a realização da perícia, embora em alguns casos possa levar alguns dias a mais.

Passo a passo:

Acesse o site meu.inss.gov.br ou abra o aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS). Faça login com seu CPF e senha do Gov.br. Na tela inicial, procure a opção "Consultar Pedidos" ou "Resultado de Benefício por Incapacidade". Localize o requerimento correspondente à sua perícia. O status mostrará se o benefício foi concedido (aprovado) ou indeferido (negado).

Se o benefício foi concedido, você verá informações adicionais como o valor estimado, a data de início do pagamento e, no caso de auxílio por incapacidade temporária, a Data de Cessação do Benefício (DCB) — a data prevista para o fim do pagamento, quando uma nova avaliação poderá ser necessária.

2. Pela Central 135

Ligue para o número 135 (ligação gratuita de telefone fixo e de celular). O atendimento funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Tenha em mãos seu CPF e o número do requerimento. O atendente pode informar o resultado da perícia e o status do seu benefício.

3. Presencialmente na agência do INSS

Se não conseguir consultar pelo aplicativo ou telefone, é possível comparecer a uma agência do INSS. Nesse caso, é recomendável agendar o atendimento previamente pelo Meu INSS ou pelo 135 para evitar espera desnecessária.

💡 Dica prática: Antes de ligar para o 135 ou ir à agência, tente o aplicativo Meu INSS. Além de mais rápido, ele permite visualizar todo o histórico de requerimentos e resultados — informação útil caso você precise recorrer.


Entendendo o Resultado: O Que Significa Cada Status

O resultado da perícia do INSS não é simplesmente "aprovada" ou "reprovada". Existem nuances que afetam diretamente seus direitos e próximos passos.

Benefício concedido (perícia "aprovada")

O perito reconheceu sua incapacidade e o benefício foi deferido. Nesse caso, atenção a dois pontos importantes.

Primeiro, verifique a data de início do benefício (DIB). Em alguns casos, a DIB pode não coincidir com a data do seu afastamento — o que significa que o período entre o afastamento e o início do benefício pode não ser coberto. Se isso acontecer e você discordar, é possível contestar administrativamente.

Segundo, se o benefício concedido for o auxílio por incapacidade temporária, observe a DCB (data de cessação). É a data em que o INSS prevê encerrar o pagamento. Se a sua incapacidade persistir além dessa data, será necessário solicitar prorrogação — e o prazo para fazer isso é de até 15 dias antes do término do benefício. Perder esse prazo pode interromper o recebimento.

Benefício indeferido (perícia "negada")

O perito concluiu que não há incapacidade laboral nos termos exigidos pela legislação previdenciária. Esse resultado não significa necessariamente que você não está doente — significa que, na avaliação do perito, sua condição não configura incapacidade para o trabalho segundo os critérios do INSS.

Essa distinção é fundamental e frequentemente mal compreendida. Muitos segurados recebem a negativa e concluem que "o perito não acreditou" ou que "a perícia é para negar". Na maioria dos casos, a negativa decorre de critérios técnicos específicos — e entender quais critérios não foram atendidos é o primeiro passo para reverter o resultado.

Benefício concedido com DCB precoce

Uma situação intermediária que gera muita frustração: o benefício é concedido, mas com uma data de cessação que você considera prematura. O INSS entende que você está incapaz agora, mas prevê que sua recuperação acontecerá em determinado prazo — que pode não corresponder à realidade do seu quadro clínico.

⚠️ Importante: Qualquer que seja o resultado, você tem direitos. Se concordar, ótimo. Se discordar, existem caminhos legais para contestar. O pior erro é aceitar uma negativa como definitiva sem ao menos entender os motivos.


Perícia Judicial: Como Saber o Resultado

Se a sua perícia foi realizada no contexto de um processo judicial (trabalhista, cível ou previdenciário), o procedimento para conhecer o resultado é diferente.

Na perícia judicial, o perito não comunica o resultado na hora. Ele tem um prazo — geralmente de 20 a 30 dias, prorrogáveis — para elaborar o laudo pericial e entregá-lo ao juízo. Somente depois de pronto, o laudo é juntado aos autos do processo.

Como acompanhar

Pelo sistema eletrônico do tribunal. A maioria dos tribunais utiliza sistemas como PJe (Processo Judicial Eletrônico) ou e-Proc, onde você ou seu advogado podem acompanhar todas as movimentações. Cadastre-se no sistema de notificações automáticas (PUSH) para receber alertas por e-mail quando houver movimentação no processo.

Pelo seu advogado. Ele será intimado oficialmente quando o laudo for juntado aos autos e deve comunicar o resultado a você. Se seu advogado não entrou em contato sobre o laudo, pergunte. Você tem direito de saber o que está no documento.

Na perícia judicial, o laudo não é simplesmente "aprovado" ou "negado" — ele responde aos quesitos formulados pelas partes e apresenta conclusões técnicas que o juiz utilizará para fundamentar a sentença. A interpretação do laudo exige análise técnica, e é nesse momento que a presença de um assistente técnico se torna especialmente valiosa.


Perícia Negada: O Que Fazer Agora?

Receber uma negativa é frustrante, especialmente quando você sabe que está doente e incapaz de trabalhar. Mas a negativa não é o fim do caminho. Existem recursos legais — e quanto mais rápido você agir, maiores as chances de reverter.

Na perícia do INSS

Pedido de reconsideração. Você pode solicitar uma nova avaliação administrativa em até 30 dias após a ciência do resultado. Esse pedido é feito pelo próprio Meu INSS.

Recurso à Junta de Recursos. Se a reconsideração for negada ou se preferir ir diretamente ao recurso, você tem prazo de 30 dias para recorrer à Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Esse recurso é administrativo e gratuito.

Ação judicial. Se os recursos administrativos não resolverem, é possível ingressar com ação judicial contra o INSS. O prazo para isso é mais amplo, mas a recomendação é não demorar — quanto mais recente a documentação médica, mais forte a ação.

Na perícia judicial

Após a juntada do laudo, as partes têm prazo para se manifestar (geralmente 10 a 15 dias). As opções incluem concordar com o laudo, solicitar esclarecimentos ao perito, impugnar as conclusões ou, em casos excepcionais, requerer nova perícia.

O papel do assistente técnico na contestação

Aqui está o ponto que diferencia uma contestação eficaz de uma tentativa frustrada.

Quando a perícia é negada — seja no INSS ou no judicial — a grande questão é: por que foi negada? Qual critério não foi atendido? O perito considerou que não há incapacidade? Que não há nexo causal? Que a incapacidade é parcial e não total?

Seu advogado pode identificar que o resultado é desfavorável. Mas avaliar se a conclusão do perito está tecnicamente correta exige formação médica. O assistente técnico é o profissional que faz essa análise: revisa o laudo, identifica os fundamentos da negativa, confronta com a documentação clínica e a literatura médica, e determina se há base para contestação.

Se houver, ele produz um parecer técnico fundamentado que pode subsidiar tanto o recurso administrativo quanto a ação judicial. Esse parecer não é uma opinião genérica — é um documento técnico com argumentos médico-científicos que contesta pontos específicos da avaliação.

Uma parcela significativa dos recursos e ações judiciais contra negativas do INSS resulta em concessão do benefício — especialmente quando acompanhados de parecer técnico médico que demonstra as falhas da avaliação original.

💡 O que muitas pessoas não sabem é que o perito do INSS avalia incapacidade laboral, não gravidade da doença. Você pode ter uma condição séria e, ainda assim, receber negativa — porque a incapacidade não foi demonstrada nos critérios específicos que o INSS utiliza. O assistente técnico entende esses critérios e sabe como apresentar o caso de forma que eles sejam atendidos.


Perícia Aprovada, Mas Com Prazo Curto: O Que Fazer?

Uma situação que gera muitas dúvidas: o benefício foi concedido, mas a DCB (data de cessação) é daqui a 30 ou 60 dias — e você sabe que não estará recuperado nesse prazo.

Solicite a prorrogação antes do vencimento. O pedido pode ser feito pelo Meu INSS ou pelo 135, e deve ser realizado com até 15 dias de antecedência da DCB. Deixar para depois pode causar interrupção no pagamento.

Atualize sua documentação médica. Para a perícia de prorrogação, você precisará demonstrar que a incapacidade persiste. Tenha relatórios médicos recentes, exames atualizados e, se possível, um laudo que descreva a previsão de recuperação — ou a ausência dela.

Considere orientação técnica. Se você já passou por uma negativa anterior ou se sua condição é crônica, ter um assistente técnico orientando a documentação para a prorrogação pode evitar que o benefício seja cessado prematuramente.


Checklist: O Que Fazer Após a Perícia Médica

Para organizar seus próximos passos, independentemente do resultado:

Consulte o resultado pelo Meu INSS, 135 ou sistema do tribunal (conforme o caso)

Leia atentamente a decisão ou o laudo — entenda os motivos, não apenas o resultado

Anote os prazos — para recurso (30 dias no INSS), manifestação sobre laudo judicial (10-15 dias) ou prorrogação (15 dias antes da DCB)

Comunique seu advogado imediatamente, especialmente em caso de negativa

Avalie a necessidade de assistente técnico — se o resultado foi desfavorável, um médico especialista pode analisar a avaliação e indicar se há fundamento para contestação

Não aceite a negativa como definitiva sem entender tecnicamente por que ela ocorreu


Conclusão

Saber se a perícia médica foi aprovada é simples do ponto de vista prático — o Meu INSS, o 135 ou o sistema do tribunal informam o resultado em poucos dias. O desafio real começa quando o resultado não é o que você esperava.

A negativa de um benefício ou um laudo desfavorável não precisa ser o fim da história. Existem recursos legais, prazos para contestação e, principalmente, profissionais especializados que podem avaliar tecnicamente se a decisão foi justa — e ajudá-lo a revertê-la quando não foi.

O erro mais comum é aceitar o resultado sem questionar, acreditando que "não há mais nada a fazer". Na prática, a maioria das negativas pode ser contestada — e muitas são revertidas quando a contestação vem acompanhada de fundamentação técnica sólida.

Se sua perícia foi negada ou se o resultado não reflete a realidade da sua condição, o primeiro passo é entender por que isso aconteceu. E para isso, conversar com um médico especialista em perícias pode ser a decisão que muda o rumo do seu caso.

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Dr. Mário Guimarães

CRM-DF 18.666 · RQE 17.972

Médico especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas. Ex-Corregedor do CRM-DF. Master in Law, Penn Law (Ivy League). +1.000 atuações em 3 países.

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